segunda-feira, 28 de abril de 2014

Anna Barros

"Eu sou sempre a mais velha, com o trabalho mais novo."




Anna Barros é uma artista multimídia, pesquisadora e curadora. Nasceu em São Paulo, em 1932, morou por sete anos nos Estados Unidos onde iniciou sua carreira na dança de improvisação de Rudolf Laban e se formou no Otis Art Istitute em Los Angeles. Durante o tempo em que esteve por lá, recebeu influência dos artistas locais que exploravam o uso da luz no espaço das instalações.

Ao retornar ao Brasil ingressou seu mestrado na ECA/USP e mais tarde o doutorado na PUC/SP. Foi presidente da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (ANPAP). Participava de simpósios e congressos nacionais e internacionais e apresenta seu trabalho artístico no Brasil e no exterior desde 1974.

Explora a tecnologia para conseguir novas percepções, seus trabalhos dão ênfase na cor, luz e a transparência. A obra de Anna Barros permeia técnicas diversas tendo passado pela gravura, pintura, escultura com instalações, mas hoje coloca-se no veio da Arte e Tecnologia.

Desde 1993 ela vem trabalhando com animações através do computador, sempre explorando o tema da luz e sua imaterialidade.

Começou a pesquisar a nanotecnologia, foi até São Carlos, no Instituto de Física da USP, para saber como funcionava esta ciência. Em 2008 ela realizou a curadoria da exposição “Nano, Poética de um Mundo Novo”.


Anna deu o primeiro curso de Nanoarte do Brasil, intitulado “NANOARTE: Um novo mundo para a criação de trabalhos de arte”, que teve como objetivo tecer uma trama rizomática entre a nanociência e a arte por meio da apresentação, análise e conteúdo de trabalhos de artistas em colaboração com cientistas.


Segundo Anna, não é possível viver de seus trabalhos de arte. Não são animações comerciais, são muito específicas e abstratas.


Anna Barros faleceu em 26/09/2013





Para ver obras da artista:

Obras de Anna Barros

Canal da Anna Barros no youtube

Mário Cravo Neto

(20 de abril de 1947, Salvador, Bahia/ 9 de agosto de 2009, Salvador, Bahia)


Filho do escultor Mário Cravo Júnior, viveu em Nova Iorque entre 1968 e 1970, onde estudou na Art Student League.
Artista multimídia, Mario Cravo Neto iniciou na escultura, ainda adolescente, antes de começar a fotografar, ofício que também abraçou bem cedo. Andou das artes plásticas ao cinema, mas foi como fotógrafo que inscreveu seu nome no cenário internacional e nacional.
Mário é a expressão máxima da fotografia artística no Brasil, muito antes de que esse conceito ou essa discussão fossem tema de debates. Sua produção ganhou importância pelo estilo inconfundível e impactante.
Em Butterflies and Zebras, exposta na Estação Pinacoteca, em São Paulo, a exposição continha 45 fotografias em preto e branco, “O Fundo Negro e Seus Personagens", que são os ícones de sua produção, seu trabalho mais conhecido que foi editado no livro "The Eternal Now" (Áries Editora), uma instalação com fotos de "Ilé Opó Aganju", trabalho em progresso sobre o candomblé, projetadas nas paredes do espaço.










A curadoria de Diógenes Moura também traz uma projeção de 250 imagens coloridas feitas durante o período em que viveu e estudou em Nova Iorque com sua mulher Eva Christensen, entre 1969 e 1970. Os registros revelam um olhar atento para a correria da metrópole, em especial nas ruas e estações de metrô.










“Mario Cravo Neto me falou e mostrou as fotografias. Falou-me apenas: são as fotos que fiz em Nova Iorque. Cada vez que eu olhava cada uma das imagens ficava imaginando de que forma cada uma delas teria sido feita. Juntas, formam uma série. Separadas, cada uma delas representam um instante preciso. São como fotogramas. São ao mesmo tempo fotografia e cinema. Revelam personagens anônimos tornados mais anônimos ainda, caminhantes nas ruas da cidade; recortam figuras descendo as escadas ou dentro do metrô e as levam para dentro numa mesma cédula não identificável: aproxima e afasta gente de automóveis por dentro e por fora. Ali, há a aproximação e distância. Uma cidade dilatada.” Disse Diógenes.
Uma exposição que começou a ser pensada pelo artista e pelo curador em 2006, com o vasculhar de arquivos. Um trabalho de garimpagem nas inúmeras imagens produzidas por ele. Um trabalho que foi interrompido em 9 de agosto de 2009 pela morte do artista. Seu filho, Christian Cravo, também fotógrafo, batalhou para que essa retrospectiva fosse realizada: "Era a vontade do meu pai e precisei lutar judicialmente para que ela pudesse acontecer". Disse ele.
As projeções foram pensadas por Diógenes como um grande cinema pois Mario Cravo sempre quis que sentíssemos o que seria Nova York, por isso são utilizadas trilhas sonoras, e a passagem por dentro onde o espectador é projetado sobre a imagem.

Suas experiências com diversas linguagens pertencem ao seu desenvolvimento como artista plástico. São sua extensão, os tentáculos que ajudam a relacionar com o meio ambiente, consigo mesmo e com o futuro. Deixou o cinema, pois não o agradava o tipo de vida que iria se submeter. Em seus vídeos, ele os dirige, fotografa e edita. Em outras palavras, pode contar a história da sua maneira. A curiosidade, a técnica e as linguagens diferenciadas fazem parte do desenvolvimento de todo artista. Sobre suas fontes de inspiração, disse: "os que me inspiram tem sempre algo de poético. São músicos, artistas, fotógrafos, poetas. Tudo o que me toca me inspira."




domingo, 27 de abril de 2014

Artur Matuck



Um dos maiores pioneiros em arte comunicação no Brasil, Artur Matuck (1949), nasceu em São Paulo. É formado em artes pela ECA/USP e pós graduado em artes visuais em San Diego, pela Universidade da Califórnia. 

Exerce no Brasil, EUA, Canadá e Europa em diversas áreas como professor,pesquisador, escritor, artistas plástico, diretor de vídeo, performer, produtor de eventos de artes e recentemente, como filosofo da comunicação contemporânea e organizador de simpósios - reuniões para debater determinados assuntos - internacionais.
 
A motivação de suas obras tem inspiração ecológica. Em 1977, fez um vídeo chamado Emanatio-Profanatio, referente ao sacrificio de bezerros por um fazendeiro do Estados de Wisconsin  (EUA), movido por razões políticas. Ainda em 1977, Brahminicide mostra o processo tecnológico de matanças de porcos na cidade de Iowa (EUA).

No Brasil, em 1984, inicia sua carreira universitária assumindo a disciplina de multimídia e Intermídia no Departamento de Artes Plásticas na ECA. Atua ainda como professor orientador nos programas de pós- graduação Ciências da Comunicação e em Estética e Historia da Arte, pela USP.

Em 1991, desenvolveu o projeto Reflux ( projeto mundial de telecomunicação e arte).
Participou da 17ª Bienal Internacional de São Paulo, no qual apresentou viodeoinstalação Alpha Centauri Stelo Binara em 1983, a partir desse periodo suas produções artisticas foram produzidas nas Bienais de São Paulo em 1983;1987;1989;1991 e 2002.
 
Atualmente desenvolve pesquisa sobre as formas híbridos de criação textual co-autorada entre agentes humanos e sistemas computacionais.Contudo, elabora projetos de arte telemediática – Projeto Perforum, 1999-2001 e Projeto Interpresença, 2002 – propondo eventos de videocomunicação entre diversos países.



ALPHA CENTUARIO STELLO BINARA - BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO 1983
Sistema de transmissão de 12 monitores formando um circulo, apresentando-se em posição de um álbum; onde são exibidos 3 programas pré-gravados, cada um transmitindo simultaneamente para quatro monitores do circulo; Espaço lúdico composto de 6 monitores, 6 câmeras, 6 gravadores-reprodutores de video e 3 espelhos, permitindo participação do publico na criação de imagens; Sistema de holografias composto de 4 hologramas planos e 1 holograma circular produzidos em colaboração com Fernando Eugênio Catta-Preta; Sistema de som composto de 12 amplificadores, 6 gravadores e 24 caixas acústicas veiculando composições de Carlos Kater.



DISTRADO - MEGGAAN OBSERVES AN HUMAN
Um extraterrestre de Megga relata sua tentativa de se aproximar de um ser humano na Terra. A criação e produção da video-narrativa Distrado-Meggaan Observa um Humano obedeceu a critérios exclusivamente artísticos. Distrado aponta para um questionamento da vigilância e da supervisão do individuo na sociedade contemporânea. A principal tensão revelada na obra ocorre na consciência do personagem-narrador, um alienígena que ao aproximar-se de um ser humano vacila diante deste contacto. O extraterrestre revela-se como um personagem tele-dominado controlado por uma autoridade distante capaz de injetar-lhe ordens.




Instalação em áudio e vídeo. Transcrição de imagens do vídeo Distrado-Meggaan Observa um Humano através de uma tv de varredura lenta. A trilha sonora realizada por Chris Koenisberg interferia nas imagens de ficção científica.

Recentemente, houve um trabalho na USP, dirigido por Artur Matuck, A Arte Como Pratica espiritual. Uma oficina que propôs a experiência em um santuário ecológico em São Paulo, que obteve uma serie de atividades com o contato com elementos da natureza (rios, cachoeiras, trilhas e praias). O artista orientou está oficina através de uma equipe acadêmica ligados pela USP, como pratica espiritual, proporcionando a relação do universo interior, abrangendo diferentes formas de expressão.


A Casa do Índio - Litoral Norte de São Paulo 
Artur Matuck,2014.

VIDEOS:

DISTRADO - MEGGAAN OBSERVES AN HUMAN 1989
► http://www.colabor.art.br/arturmatuck/portfolio/video/distrado.php

RISK MACHHINES - 2002

Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho


Nasceu em 2 de setembro de 1960 em São Paulo, o quarto de sete filhos.

É conhecido na América do Sul por ser um dos principais compositores da música pop brasileira. Mas fora, também já expôs trabalhos em artes plásticas.  Fez poesia, performances e intervenções em outros meios desde 1980.

Situa-se entre os autores contemporâneos de maior expressão e é ainda ativo e claramente influenciado pelas vanguardas do modernismo, o concretismo principalmente. 

Após 1992, ele muda o curso de sua poesia e começa a experimentar uma nova forma de literatura, feita no computador e destinada a ser lida na tela do aparelho de televisão. É mais um passo na direção de uma arte multimídia, capaz de combinar todas as artes anteriores perfeitamente.

Antunes defende a liberdade da poesia e das formas lingüísticas de expressão atuais, pois para ele quanto mais se mistura mídias e criatividade mais os sentidos se interligam enriquecendo as interpretações.
 O uso intenso de figuras de linguagem, fato que confere à sua obra um caráter essencialmente lúdico.

A semelhança entre o que Arnaldo Antunes faz em suas obras e o que o hipertexto (termo que remete a um texto, ao qual se agregam outros conjuntos de informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons) pretende, não pode ser negada. Arnaldo Antunes é um poeta ligado ao visual, e o hipertexto possibilita que o autor explore mais sua criatividade nesse campo. As palavras e imagens se completam, se opõem, se interpenetram, deixando ao leitor apenas pistas de significação.

"Antes e Após"




















"Cromossomos"




















"Mãos"



















Utilizando recursos de computação gráfica e de vídeo, ele lança, em 1993, uma seleção de trinta impressionantes videopoemas, que combina letras animadas com cores mutantes, imagens tomadas por câmeras de vídeo, oralização e música. 

"NOME." 1993



Fontes: Enciclopédia Itau Cultural Arte e Tecnologia

Otávio Donasci


Otávio Donasci nasceu em São Paulo, em 1952. É graduado e mestre em artes plásticas.
Durante a década de 1970 trabalhou com  espetáculos multimídia e cenografia, da qual foi premiado APCA E Mambembe. Em seguida passa a trabalhar com videoarte e espetáculos interativos e seu trabalho é reconhecido internacionalmente.
As videocriaturas são um marco no seu trabalho, trata-se de criar híbridos, metade gente metade máquina, onde monitores de TV eram colocados presos encima de um ator coberto por panos pretos. Na tela era transmitido ao vivo apresentações, pessoas recitando monólogos e interagindo uma máquina com a outra. Para a realização o artista usa equipamentos domésticos e improvisos.

"A proposta para as videocriaturas é simples e precisa. Trata-se de amplias os recursos expressivos do ato com a incorporação da linguagem dos meios visuais"

Além das videocriaturas ele realiza performances multimídia fazendo uso de telões, onde a pessoa projetada fica atrás do telão para dar a impressão, num momento específico, que ela está saindo, tornando-se 3D e palpável. Como vemos abaixo, que reúne os trabalhos realizados pelo artista:












segunda-feira, 21 de abril de 2014

Katia Maciel



Carioca, Katia Valeria Maciel Toledo (1963 - ), popularmente conhecida como Katia Maciel, é artista, cineasta, poeta e professora, lecionando na Escola de Comunicação da UFRJ desde 1994 onde coordena, com André Parente, o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem). Em suas obras, desde 1990 busca a arte aliada ao cinema através de filmes, curtas, vídeo-instalações e instalações interativas.

Ganhadora de prêmios e bolsas nacionais, teve a oportunidade de expor solo (São Paulo, Bistrol, Rio de Janeiro) e coletivamente (Londres, São Paulo, Porto Alegre, Pequim, Karlsruhe, México...), além de publicar livros sobre cinema, arte e poesia, como por exemplo Poeta, Herói, Idiota: O pensamento de cinema no Brasil, e seu livro mais recente, datado de 2012, de poesias, intitulado ZUN.

Suas obras giram em torno da interação com o observador, de maneira inclusiva com a obra, buscando também, através de seus vídeos, quebrar a clássica linearidade do cinema tradicional. Essa busca ela mesma dá o nome de transcinema: “uma imagem pensada para gerar ou criar uma nova construção de espaço- tempo cinematográfico em que a presença do participador ativa a trama que se desenvolve. Uma imagem em metamorfose que pode se atualizar em projeção múltipla, em ambientes interativos e imersivos”.¹

Podemos perceber claramente sua temática através do vídeo Meio Cheio Meio Vazio (Vimeo) , quando a imagem se eterniza num looping, onde o copo nunca enche, transborda ou esvazia (notem que o vídeo não possui absoluto som, porém automaticamente nos vem à cabeça o som de um copo sendo cheio...).

Há também a instalação Um, Nenhum, Cem Mil , seu trabalho de pós doutorado na Universidade de Wales, Newport, Inglaterra, que possibilita ao expectador selecionar dois rostos para encenarem diálogos românticos aleatórios.

Seus trabalhos mais conhecidos são:

O Banho (1993) - seu primeiro vídeo, inspirado a partir das impressões das cores e movimentos dos pastéis da série de mulheres no banho do artista impressionista Edgar Degas.²

Mantenha Distância (2004) - instalação interativa, onde um caminhão é projetado em uma tela, e ao ocorrer a aproximação, o caminhão também se aproxima e lê-se, acima da placa, a frase “mantenha a distância”.

Na Estrada (2004) - instalação interativa, onde nela estamos imersos em três imagens, três sequências em loop de um casal em uma estrada. Nessa montagem, pode-se ver as sequências projetadas simultaneamente em três paredes; cada aproximação do visitante irá acionar o som e a cor da tela da qual ele se aproxima.

Uma Árvore (2009) - videoinstalação, os galhos e folhagens duma árvore se movimentam imitando o inspirar e expirar pulmonar, enquanto seu tronco e o resto da imagem estão estáticos.


Os dois vídeos que mais me impressionaram e marcaram foram, sobretudo, Casa-Construção, curta metragem de 2009 e ganhador do Prêmio Rumos ItaulCultural: Cinema Experimental, onde um casal conversa paralelamente, primeiro um, em seguida o outro e depois ambos, ambientado em uma casa em construção; e Ondas: Um Dia de Nuvens Listradas Vindas do Mar, uma instalação interativa de 2006 em loop, onde a artista mesmo define que "A palavra onda designa ao mesmo tempo o movimento do mar e a pulsação da energia. Este trabalho aproxima esses dois sentidos por meio de uma instalação interativa"³, que causou-me real sensação de estar à beira da praia, sobretudo pela projeção ocupar um espaço levemente arredondado nos cantos e a zona de arrebentação do mar ser próxima ao rodapé do chão, possibilitando ao visitante realmente imaginar que está com os pés na água!

Para saber mais sobre essa artista contemporânea e seu incrível trabalho de interatividade obra x apreciador deixo abaixo acesso para os links das fontes pesquisadas, site e Vimeo pessoal da artista.


¹ e ²- Retirados do site Enciclopédia Itaú Cultural - Arte e Tecnologia
³ - Retirado da descrição do vídeo no Vimeo da artista (Katia Maciel)